primeiras impressões

Logo que cheguei à cidade, a galera aqui do apê disse para não pedir informações aos idosos, pois certamente seria mal-tratado. No momento, achei que eles estivessem exagerando um pouco, contudo, ao pedir informações aos velhinhos, senti na pele o que eles estavam me falando. Segundo alguns sites que li antes de chegar aqui, Portugal é um lugar em que a maioria da população é idosa, fato que pude constatar pessoalmente quando cheguei. Da mesma forma que o Brasil, os vovôs daqui sofrem com uma “elevada miséria” de aposentadoria, mesmo estando na Europa. Atualmente, o salário mínino aqui está beirando os € 430,00 euros, valor baixo para os padrões locais. Talvez por esse motivo e pelo rancor característicos de muitos idosos (de qualquer lugar do mundo) é que fomos tratados dessa forma.

Por outro lado, percebi que o povo aqui é deveras objetivo para se comunicar, às vezes beirando à grosseria. Nas primeiras vezes, até pensei que estivessem com o mesmo humor do velhinhos supracitados, mas depois, como todos que eu conversava se expressavam da mesma forma, vi que é uma peculiaridade de cá.

Não saberia explicar tecnicamente o que diferencia do nosso modo, mas algumas coisas que pude perceber é que em suas frases as palavras são quase sempre bem utilizadas, fazendo com que a mensagem chegue perfeitamente a outra pessoa. Talvez tenha passado despercebido, talvez não, mas ainda não ouvi sair da boca de algum deles gerúndios, nem demasiados, nem aqueles necessários que para nós, tupiniquins, não haveria outra forma de dizer que alguma está ou estava acontecendo naquele instante. Vamos aos exemplos:

Brasil: “Estou (ou estava) falando com ele ao telefone”.

Portugal: “Estou (ou estava) a falar com ele ao telefone”.

Ou seja, os verbos que nós, brasucas, “gerundiamos” para dar idéia de continuidade, aqui são substituídos pelos mesmos verbos, porém na forma infinitiva impessoal.

Mas isso não há nada para se preocupar. Segundo uma mulher que trabalha aqui na faculdade de engenharia que conheci, eles (portugas) no entendem mais do que nós os entendemos. Isso por causa das nossas novelas e das “boas” músicas que exportamos. Sexta-feira passada, por exemplo, fui numa tal festa de música latina onde tocou algo mais ou menos assim:

“bota a mão no joelho

dá uma abaixadinha

vai mexendo gostoso

balançando (a balançar) a bundinha”

Alexandre Pires, aquele mesmo da barata da vizinha, também é bastante consumido.

Outro assunto lingüístico digno de um post seriam as expressões idiomáticas, bem como as gírias faladas aqui. Mas isso seria uma coisa a se pensar bem mais para frente, já que sábado passado recém fez uma semana de vida européia. Ainda há muito do que ouvir.

Ah! As aulas começaram semana passada! Um pouco conturbadas, confesso, mas certamente por ser a primeira semana.

~ por João em Setembro 24, 2008.

Uma resposta to “primeiras impressões”

  1. Velhos, ranzinzas e mal educados? Estás em casa, então!
    Queria muito ouvir todas as pessoas ao redor a falar com o sotaque daí. Deve ser muito cômico.

    No mais aproveite, pois a FABICO está a continuar (impressão de que essa não ficou legal) o mesmo lixo de sempre.

    Amplexos e ósculos, caro amigo!
    Passar bem.

    hehehe…

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