preconceito

•Maio 21, 2009 • Deixe um comentário

Estou em Portugal desde setembro de 2008 e o que vejo desde quanto cheguei aqui é um preconceito explícito para com o brasucas. Para os portugueses, esse comportamento parece ser a coisa mais banal que existe.
Aqui, brasileiro independentemente da sua atividade (trabalhador, estudante ou vagabundo), é sinônimo de algo menor, desprezível. Sobretudo para as mulheres. Várias conhecidas minhas que são estudantes também, por mais de uma vez, já foram questionadas pelos homens que queriam saber quanto era o “programa”, algumas até já foram perseguidas. Mas o que me revolta mais não é o povo em geral, e sim professores e funcionários da universidade que eu estudo (U. do Porto). O preconceito é o mesmo que vemos nas demais pessoas. Subestimam-nos e agridem-nos verbalmente com insinuações baixas e por aí vai.

Também pedimos para termos essa imagem

Também pedimos para termos essa imagem

Certamente, a mídia tem muita influência nesse sentido, pois todo dia sempre aparece nas pautas dos jornais algo que, de alguma forma, não fale bem ou dos brasileiros ou do país. Sem contar as novelas da Globo e da Record que são transmitidas praticamente ao mesmo tempo que aí no Brasil. Contudo, acredito que a maioria paga por poucos. Há pessoas sim que vêm pra cá se prostituir (trabalhar de certa forma), roubar, passar a perna nos outros, mas também há muita gente que sai em parcas condições do Brasil e se submete a um monte de coisa para ganhar alguns euros para no final do mês mandar para sua família, sem precisar roubar ou qualquer outra coisa.

Essa boa imagem que temos dos europeus no que diz respeito à educação, quando chegamos na Europa cai por terra. Aqui, como em qualquer outra parte do mundo, existem pessoas que fazem as mesmas coisas ruins, talvez até pior, pois não têm a insegurança de serem deportados, no caso aqueles que infringem a lei dentro do seu próprio país.

Não podemos dizer também que nós, brasileiros, somos super hospitaleiros, pois quando vemos argentinos, por exemplo, sempre fazemos algum comentariozinho sutil.

Comentário que fiz meses atrás na comunidade da UFRGS no Orkut.

intercambiando

•Fevereiro 13, 2009 • 1 Comentário

Tenho que dizer que atualmente ando bastante confuso em relação a minha escrita e minha forma de falar. Primeiro por causa da influência portuguesa que está em todos os lugares, segundo porque divido apartamento com três baianos e um catarinense. Está tudo tão misturado que já embaralho-me muitas vezes, é de se notar as alternâncias malucas que faço principalmente ao escrever (nem conto com as alterações recentes que ocorreram da gramática, senão já viu…). Mas acho que faz parte do intercâmbio essa salada de frutas lingüística, aprecio a experiência. Quando começaram as aulas aqui, tinha receio que os professores da UP exigissem algum tipo de padronização do português (claro, o usado em Portugal), mas logo esse temor caiu por terra e tudo quase melhorou.

Primeiros dias como aluno estrangeiro

Logo que cheguei à cidade, ao mesmo tempo que visitava os pontos turísticos, fui atrás das primeiras informações sobre a universidade que iria estudar. Anteriormente instruído, me dirigi até a Reitoria da U. Porto para receber as primeiras informações. Já foi com a primeira recepção oficial que comecei a perceber as diferenças entre as instituições no que diz respeito à organização e à estrutura. Juntamente com outros estudantes estrangeiros, fui encaminhado para a reunião de apresentação da Universidade que serviu para tirar muitas dúvidas iniciais. Como brindes da universidade, ganhamos muitas coisas úteis como mapas das dependências da UP na cidade, diversos impressos com informações relevantes, e, por incrível que pareça, um chip de celular juntamente com um vale-compras de um celular no valor de 30 euros. A UP, em acordo com uma operadora, oferece aos seus alunos intercambistas a possibilidade de todos se falarem de graça, provavelmente no intuito de estreitar os vínculos entre as pessoas de fora.

Na cidade, quiçá em toda Europa, alunos universitários estrangeiros são conhecidos como alunos Erasmus, porém somente os europeus podem ser verdadeiramente chamados por esse nome, já que esse programa é de um protocolo assinado pela União Européia que tem objetivo de apoiar a mobilidade acadêmica tanto de estudantes como de professores europeus, mas acaba toda gente entrando nessa classe. Essa denominação, infelizmente, quando os portugueses descobrem que somos brasileiros, perde um pouco da carga de respeito que normalmente ela traria a outra pessoa de origem européia. Isso porque “nossos colonizadores” têm uma imagem muito negativa dos brasileiros que aqui estão residindo, tanto para os estudantes como para os trabalhadores. Mas esse assunto é para um outro dia.

Em entrevista para um colega do curso de Arquivologia da UFRGS que estava produzindo um trabalho sobre mobilidade acadêmica no âmbito da própria universidade, fui questionado sobre que tipo de experiências a cidade do Porto e a minha vida de estudante estrangeiro me oferecem que eu não teria a oportunidade de experimentar estando somente em Porto Alegre/RS, em minha faculdade. O que respondi foi que a principal característica é a possibilidade de conhecer muita gente diferente da minha realidade. Aqui, além da língua oficial, existem diversas outras que são tão faladas quanto o próprio português. E é a UP que catalisa tudo isso. Em um mesmo grupo de pessoas, é possível encontrar, brasileiros, portugueses, franceses, italianos, espanhóis, turcos, polacos, africanos conversando entre si e todos com algo em comum: a mobilidade acadêmica. Outro aspecto relevante é a possibilidade de estar dentro de um país que juntamente com outros próximos como Espanha, Inglaterra e França, por exemplo, foram as nações dominantes em séculos passados, tendo muita influência na cultura ocidental, no comportamento de quem nasce nesses locais e na forma de tratar aqueles que vêm de fora, sobretudo pessoas de países menos desenvolvidos e colonizados pelos mesmos.

E é assim que termino esse post, falando das coisas legais de estar aqui. Outra hora falo das experiências preconceituosas que passamos, e que são várias.

As fotos abaixo são do imponente prédio da reitoria da UP.


retornar é preciso

•Fevereiro 10, 2009 • 1 Comentário

Depois de umas férias de três meses aos milhares leitores é mentira deste blog resolvi voltar!

Ainda não sei bem o motivo do retorno, muito menos porque parei de postar, só sei que cá estou, um bocadinho imbuído de algumas expressões portuguesas; para fins geográficos, portistas, especificamente. Sim, em um país tão pequenino com pouco mais de 10 milhões de habitantes, onde é possível atravessá-lo em no máximo meio dia de carro, existe diversas regiões com características peculiares de se comunicar e aqui no Porto não seria diferente.

Para tentar explicar com poucas palavras minha ausência àqueles que ainda não me conhecem, sou um homem ocupado procrastinador de primeira categoria para assuntos muito mais importantes que postagens em um blog. Óbvio que não seria diferente para essa atividade.

Seguindo e atualizando algumas questões, em novembro de 2008 soube pela Matilda, ex-parceira de blog que nunca manifestou-se publicamente neste espaço e que ainda está no Brasil, que havia desistido totalmente do intercâmbio. O combinado quando criamos o blog foi que primeiro eu começaria escrevendo e, no semestre seguinte, na vez dela chegar aqui, escrever sobre suas coisas, complementando e atualizando o que fosse necessário do que já havia escrito antes, tornando o humilde bloguinho um pouco mais movimentado. Porém, escolhas que não cabem a mais ninguém a não ser ela própria, fizeram que adiasse sua viagem para próxima. Respeito e entendo totalmente sua decisão e daqui sigo oficialmente sozinho a empreitada.

Por isso, daqui para frente, mais do que nunca e sem expectativas de comer um bacalhau aqui em Portugal com Matilda, seguirei o caminho sozinho, sem ninguém para censurar meus devaneios e insanidades aqui postadas.

1, 2, 3 e já!

gosto pessoal

•Outubro 31, 2008 • 1 Comentário

Quem me conhece sabe do meu gosto incondicional pela música brasileira de qualidade. Não venha ninguém me dizer que isso é nacionalismo ou bairrismo barato. Até escuto sons de outras origens, mas sempre acabo em um sonzinho brasuca.
E foi ouvindo novamente Os Novos Baianos, grande banda da Bahia que, infelizmente, não existe mais, que a música “Mistério do Planeta” fez realmente sentindo para mim e acho que tem muita relação com meu humilde e atual universo particular.

A composição é de Galvão e Moraes Moreira.

Vou mostrando como sou e vou sendo como posso.
Jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos.
E pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto.
Passado, presente, participo sendo o mistério do planeta.
O tríplice mistério do “stop”, que eu passo por e sendo ele no que fica em cada um.
No que sigo o meu caminho e no ar que fez e assistiu.
Abra um parênteses, não esqueça que independente disso eu não passo de um malandro.
De um moleque do Brasil, que peço e dou esmolas.
Mas ando e penso sempre com mais de um, por isso ninguém vê minha sacola.

dando notícias

•Outubro 27, 2008 • Deixe um comentário

Nossa, estou mais lento para postar alguma coisa aqui do que pensei que seria.

Falta um pouco de tempo, mas confesso que daria para escrever mais. Tenho visto tanta coisa legal, conhecido muita gente, fazendo possíveis novos amigos, enfim, atividades que me fazem pensar menos nos registros que me propus a fazer. Compreensível, eu acho.
Um dos meus objetivos é escrever sobre o curso que estou fazendo, mas isso ainda vou protelar mais um pouco.

O que estou a fim de falar é sobre o tempo que estou aqui e algumas observações que já surgiram. Nem parece que já passou, mas dia 13 completei um mês de vida européia. Infelizmente, ainda com alguns compromissos em relação a minha permanência no país. A vida de estrangeiro é um bocado complicada, pois em dezembro terei que novamente fazer a mesma correria feita em busca do meu primeiro visto, já que me foram dados apenas 120 dias para permanecer aqui legalmente. A peregrinação continua, tanto que ainda não tive a oportunidade de sair somente para conhecer a cidade. Praticamente, todos os lugares que já conheci foi por estar passando por perto e me dar conta de que ali é o lugar X ou Y. Isso não acontece só comigo, pois já falei com outras pessoas que disseram o mesmo.

Acredito que a cada dia que passa isso só vai piorando, e aí que chego a uma das minhas observações. Logo nos meus primeiros dias, passava o tempo inteiro olhando para o alto ao andar nas ruas, admirando a arquitetura dos prédios, que é diferente do ambiente porto-alegrense, lendo letreiros do comércio em geral, vendo os carros velhos e estranhos que nunca chegaram, e outros bonitões que um dia (talvez daqui uns 10 anos) chegarão ao Brasil, e ficava muito impressionado com tudo. Como nesses dias iniciais ainda não tinha câmera fotográfica, ficava prometendo para mim mesmo que iria voltar ao local que tinha gostado e iria registrar aquilo. Hoje, com a câmera adquirida, me parece que muita coisa que achava diferente antes, passam já quase que despercebidas. Ou seja, estou aos poucos perdendo aquele olhar de turista, de alguém de fora que se surpreende até por um “pois” pronunciado por um português e me adaptando àquelas características antes diferentes. Até agora, não descobri se isso é bom ou ruim, mas a dica que dou a todos que vão viajar para algum lugar por mais de um mês e querem registrar de alguma forma as peculiaridades do local, que façam isso logo nos primeiros dias da chegada, pois tudo aos poucos vai tornando-se parte do nosso cotidiano em bem pouco tempo.

Abaixo, algumas imagens que ainda não passam despercebidas e que provavelmente até a data de eu ir embora continuarão a não passar.

primeiras impressões

•Setembro 24, 2008 • 1 Comentário

Logo que cheguei à cidade, a galera aqui do apê disse para não pedir informações aos idosos, pois certamente seria mal-tratado. No momento, achei que eles estivessem exagerando um pouco, contudo, ao pedir informações aos velhinhos, senti na pele o que eles estavam me falando. Segundo alguns sites que li antes de chegar aqui, Portugal é um lugar em que a maioria da população é idosa, fato que pude constatar pessoalmente quando cheguei. Da mesma forma que o Brasil, os vovôs daqui sofrem com uma “elevada miséria” de aposentadoria, mesmo estando na Europa. Atualmente, o salário mínino aqui está beirando os € 430,00 euros, valor baixo para os padrões locais. Talvez por esse motivo e pelo rancor característicos de muitos idosos (de qualquer lugar do mundo) é que fomos tratados dessa forma.

Por outro lado, percebi que o povo aqui é deveras objetivo para se comunicar, às vezes beirando à grosseria. Nas primeiras vezes, até pensei que estivessem com o mesmo humor do velhinhos supracitados, mas depois, como todos que eu conversava se expressavam da mesma forma, vi que é uma peculiaridade de cá.

Não saberia explicar tecnicamente o que diferencia do nosso modo, mas algumas coisas que pude perceber é que em suas frases as palavras são quase sempre bem utilizadas, fazendo com que a mensagem chegue perfeitamente a outra pessoa. Talvez tenha passado despercebido, talvez não, mas ainda não ouvi sair da boca de algum deles gerúndios, nem demasiados, nem aqueles necessários que para nós, tupiniquins, não haveria outra forma de dizer que alguma está ou estava acontecendo naquele instante. Vamos aos exemplos:

Brasil: “Estou (ou estava) falando com ele ao telefone”.

Portugal: “Estou (ou estava) a falar com ele ao telefone”.

Ou seja, os verbos que nós, brasucas, “gerundiamos” para dar idéia de continuidade, aqui são substituídos pelos mesmos verbos, porém na forma infinitiva impessoal.

Mas isso não há nada para se preocupar. Segundo uma mulher que trabalha aqui na faculdade de engenharia que conheci, eles (portugas) no entendem mais do que nós os entendemos. Isso por causa das nossas novelas e das “boas” músicas que exportamos. Sexta-feira passada, por exemplo, fui numa tal festa de música latina onde tocou algo mais ou menos assim:

“bota a mão no joelho

dá uma abaixadinha

vai mexendo gostoso

balançando (a balançar) a bundinha”

Alexandre Pires, aquele mesmo da barata da vizinha, também é bastante consumido.

Outro assunto lingüístico digno de um post seriam as expressões idiomáticas, bem como as gírias faladas aqui. Mas isso seria uma coisa a se pensar bem mais para frente, já que sábado passado recém fez uma semana de vida européia. Ainda há muito do que ouvir.

Ah! As aulas começaram semana passada! Um pouco conturbadas, confesso, mas certamente por ser a primeira semana.

notícias direto de cá

•Setembro 19, 2008 • 2 Comentários

Cheguei vivo em Portugal!

Depois de uma viagem demorada e muito cansativa, estou em solo lusitano. Achei que aeronaves de vôo internacional fossem bem melhores a que viajei. Em termos de espaço e conforto, me senti voando nos aviões da Gol, pois o tamanho dos assentos e o tanto que seus encostos reclinavam, só faltou na refeição virem as famigeradas barras de cereais, característica principal da empresa brasileira.

Ao todo, a viagem durou 20 horas, desde Porto Alegre até Porto, contando com a espera no Rio e descontando o fuso horário de quarto horas a mais. Sem dúvida, o mau-humor dos(as) comissários(as) de bordo da empresa que viajei corroborou para que o trajeto Rio Porto parecesse mais longo do que realmente era. Mau-humor este que percebi ao pisar no aeroporto de Porto com o primeiro português que me comuniquei em Portugal. Dei bom dia ao cidadão e a resposta, um tanto quanto não usual, pelo menos para mim, foi “o que vieste fazer aqui?” (com AQUELE sotaque…) Nossa fama aqui não é das melhores.

Pois bem, não havia ainda dito nesse humilde blog que alguns dias antes da viagem, ainda no Brasil, conheci através de um grupo de discussão da Associação de Estudantes Brasileiros da U. Porto, a BRASUP, uma moça da Bahia, que junto de mais três amigos e colegas de faculdade precisavam de uma pessoa para dividir um apartamento aqui. Nessas alturas, no Brasil, eu já tinha em minha cabeça que só iria procurar lugar para ficar quando chegasse na cidade. Ficaria por poucos dias na Pousada da Juventude e, quem sabe lá mesmo, acharia outros interessados em dividir apartamento, já que, infelizmente, não consegui a vaga em uma das residências da universidade, principalmente pela morosidade da queridíssima UFRGS em mandar minha documentação para cá.

Via MSN, então, todos nós cinco conversamos, trocamos Orkut, falamos da vida; fui inquirido por todos eles com diversos tipos de perguntas, mas nada que não desse para responder. Inclusive achei interessante a idéia dos baianos, já que seria eu a única pessoa estranha dentro do apartamento, por isso era importante saber um pouco da minha vida.

Hoje, são eles meus novos colegas de apartamento. Da esquerda para direita: Tati, Bruna, Vanessa, Tiago e Matheus, nosso vizinho que está sempre com a gente.

Tenho ainda uma porção de coisas para falar, mas a falta de tempo para resolver as burocracias aqui me impede de escrever. Ainda não tenho internet em casa nem câmera para fotografar, mas assim que tudo se resolver, prometo ser mais presente.

na viagem

•Setembro 12, 2008 • 3 Comentários

Depois de uma conexãozinha com duração de 6 horas no Rio de Janeiro e de um pouco de estresse com os 6 pacotes de erva-mate que estavam em uma bolsa, estou nesse momento no salão de embarque do aeroporto Antonio Carlos Jobim, o Galeão, esperando para entrar na aeronave. Temperatura aqui acima dos 30 graus e a cerveja custando “somente” R$ 4,00 reais, a lata da marca SOL. Saboreei a danada com grande receio de não saber quando poderei tomar novamente!

Aguardo o vôo em frente a um freeshop. Impressionante o a fome pelo consumo dessa gente!

Próxima postagem espero que seja em solo lusitano.

PS: o siso parou de doer !!!

tá chegando o dia

•Setembro 10, 2008 • Deixe um comentário

Sexta-feira, dia 12, é o tão esperado dia da viagem. Passagens compradas, visto em mãos, lugar para morar já acertado!

Espero que dê tudo certo, mesmo sabendo que o meu dente siso inferior esquerdo está nascendo e, em altas altitudes, a dor é maior ainda. Mas embarco no avião até dopado se for preciso.

Mandarei notícias assim que der.

finalmente!![2]

•Setembro 3, 2008 • Deixe um comentário

Chegou, chegou!!

O Visto de Estudante, último documento que precisava para começar a preparar as malas, finalmente chegou!

Agora começa o processo de despedida dos amigos e familiares, parte bem complicada também.